Palavra do Presidente: A indignação seletiva

Nos últimos dias o país esteve próximo de uma convulsão social. De um lado está quem pede o impeachment da presidente Dilma e de outro, quem exige respeito à Carta Magna Brasileira. O desrespeito veio dos dois lados. Dilma foi eleita legalmente pela vontade dos eleitores, e aí não importa se se o eleitor é letrado ou não.

Então merece respeito, inclusive do juiz federal que vazou um grampo envolvendo um diálogo da presidente com seu antecessor.

Do lado de quem apoia, fizeram Lula ministro para ele escapar das garras da lei, seja ela estadual ou federal, não importa. Ganhou, mas não levou. Gilmar Mendes, ministro do STF, em medida liminar suspendeu tudo.

Lá em Brasília, tem deputado que desde fevereiro do ano passado não aparece para trabalhar às sextas-feiras. Na sexta, 25 de março, apareceram para apressar a sangria à Constituição. A maioria deles envolvidos em escândalo de propina. Estes são os mesmos que travam qualquer movimentação do Congresso e paralisaram o país. Depois vão à mídia transferir a culpa à presidente que, venhamos, está muito mal servida de partido e aliados.

Quem não “aceita Lula como Ministro da Casa Civil” tolera o Maluf como deputado, o Collor como senador, o Renan Calheiros como presidente do Senado e o Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados. Por falar nele, a quantas anda o processo de cassação? Aparentemente quem quer rasgar a Constituição esqueceu desse pequeno detalhe.

Se o problema é corrupção, porque a indignação seletiva? Daqui a alguns anos, o Supremo Tribunal Federal, STF vai considerar todo mundo inocente. Lembra do Fernando Collor. Foi inocentado e perguntou da Tribuna do Senado “quem vai me devolver o que me foi tomado?”. Outro perdoado foi o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). Com base no indulto de Natal, aquele que coloca presidiários na rua em época natalina. Ele foi liberado no dia 10 de março.

 

Ângelo Angelini  é presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Itapevi.